2022: meio século de sustentabilidade

em quinta-feira, 13 de janeiro de 2022


ALBERT PUNSOLA

09/01/2022 - 15:19

O ano de 2022, agora começando, marca os 50 anos da cristalização de uma ideia complexa: a sustentabilidade. O ano de 2022 marcará meio século desde a publicação do relatório de fundação Os Limites do Crescimento (The Limits of Growth). Tudo começou no verão de 1970, quando uma equipe de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts lançou um estudo sobre as implicações do crescimento contínuo em todo o mundo. Este estudo foi encomendado pelo Clube de Roma, uma organização não governamental internacional fundada em 1968 por cientistas e políticos de alto escalão preocupados com o futuro da humanidade.



Encontrar a fonte de ideias complexas em um momento preciso é uma tarefa difícil. Isso ocorre porque uma formulação que forneceu uma visão inovadora de como o mundo funciona raramente surgiu do nada. Essas formulações geralmente são a soma de intuições, práticas e desenvolvimentos anteriores que, em algum momento, alguém conseguiu cristalizar em um conceito de aparência nova, ao qual se poderia aplicar a frase de que o todo é mais do que a soma das partes. E aqui, claro, está a força e a originalidade.

O ano de 2022, agora começando, marca os 50 anos da cristalização de uma ideia complexa: a sustentabilidade. Certamente, o termo desenvolvimento sustentável não apareceu em 1972 (apareceu em 1987), mas o raciocínio subjacente foi afirmado na época, a saber, que em um planeta de recursos finitos, a civilização não pode se basear em um crescimento infinito.

De fato, em 2022 fará meio século desde a publicação do relatório fundador Os Limites do Crescimento. Tudo começou no verão de 1970, quando uma equipe de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) lançou um estudo sobre as implicações do crescimento contínuo em todo o mundo. Este estudo foi encomendado pelo Clube de Roma, uma organização não governamental internacional fundada em 1968 por cientistas e políticos de alto escalão preocupados com o futuro da humanidade.

A equipe do MIT analisou os cinco fatores básicos que, a seu ver, determinam e, em última análise, limitam o crescimento do planeta: explosão populacional, produção agrícola, esgotamento de recursos não renováveis, produção industrial e geração de poluição. Os cientistas inseriram dados sobre esses cinco fatores em um modelo global de computador e, em seguida, testaram o comportamento do modelo sob várias suposições para encontrar padrões alternativos de desenvolvimento que garantiriam a continuidade da civilização.

A partir do modelo, a equipe do MIT obteve três cenários para o futuro. Em dois deles, o desfecho previsto era o colapso da segunda metade do século XXI, enquanto o terceiro cenário oferecia um "mundo estabilizado" no qual a civilização poderia continuar seu curso.

Um elemento chave no método do MIT, que agora pode parecer óbvio, mas que pode não ter sido tão claro na época, era que o cálculo das reservas de um recurso existente não era feito tomando como base apenas as reservas conhecidas do recurso, mas incorporando a taxa de consumo do recurso em causa e a sua projeção para o futuro, tendo em conta a tendência existente.

Apesar do prestígio e do cuidado do MIT no trabalho, Os Limites do Crescimento foi recebido com bravura por vários órgãos acadêmicos. A reportagem foi acusada de usar dados que não refletiam a realidade, de aplicar um método questionável, de gerar suposições infundadas, de usar uma retórica catastrófica.

Esta última acusação foi completamente injusta porque justamente um dos melhores aspectos do documento é que ele não condenou a humanidade a nenhum destino predeterminado. Indicava apenas que, em certos casos, certas coisas poderiam acontecer. Além disso, ressaltou a ideia de que temos a possibilidade de decidir nosso futuro retificando o rumo.

No que diz respeito à questão dos dados e do método, é preciso dizer que, no século XXI, proliferam as vozes que defendem o rigor científico de Os Limites do Crescimento. Qualquer estudo feito a qualquer momento está condicionado pela quantidade e qualidade dos dados disponíveis. Os atuais modelos preditivos de mudanças climáticas são baseados em material atual, que pode ser escasso daqui a 50 anos. Mas o que é realmente importante sobre os dados é que são suficientes para apoiar consistentemente a existência das mudanças climáticas.

Isso pode ser aplicado aos limites de crescimento. Nesse sentido, o cientista, ativista e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, como parte de um coletivo, John Scales Avery, disse em 2012 que, além das previsões específicas sobre a disponibilidade de alguns recursos, a tese fundamental do relatório — ou seja, que o crescimento ilimitado em um planeta finito é impossível – está absolutamente correto. O mundo em que todos acreditamos funciona assim. Ninguém pede a um médico para coletar e analisar todos os sintomas de um paciente perfeitamente, mas para fazer um diagnóstico correto.

Vale lembrar The Limits of Growth porque marcou o início de um caminho que, com marcos como o Relatório Bruntland, levou a sustentabilidade a se tornar uma referência universalmente aceita: os ODS são a prova mais confiável disso. Está se tornando cada vez mais difícil conduzir qualquer iniciativa política ou empresarial sem considerá-las.

Este é um grande mérito do documento. Mas também vale a pena levar em conta as intuições de Thomas Malthus do final do século XVIII e trazê-las para o contexto contemporâneo, ou ter focado cientificamente todo o conhecimento acumulado pelas sociedades pré-industriais em que a gestão racional dos recursos e a ideia de limite eram onipresentes. Sustentabilidade antes da letra.

O 2022 com o qual estamos começando agora é o cenário temporário de Soylent Green, um fantástico filme de ficção científica filmado em grande parte em 1972, quando foi lançado Os Limites do Crescimento. O filme retrata um mundo distópico onde o colapso ecológico já ocorreu e onde todos os recursos são escassos e caros. Os autores do relatório leram o romance de 1966 inspirado em Soylent Green? É uma possibilidade. A verdade é que no espírito da época pairava a ideia de que a sociedade industrial não sobreviveria e a cultura popular, e especialmente a ficção científica, estava imbuída de um pessimismo considerável que o atual colapso de certa forma retomou.

Meio século depois, Os Limites do Crescimento pode ser visto por esse prisma, o que ajuda a entender a importância do contexto na emergência das ideias. Você também pode desfrutar das excelentes atuações de Charlton Heston e Edward G. Robinson em um 2022 desumanizante e aterrorizante. Visualizar o pior é um bom incentivo para fazer o melhor. Feliz Ano Novo a todos!

original em catalão disponível em: https://www.sostenible.cat/node/125900

tradução : paulo celso da silva






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Evaluación científica debe tener mirada de género

em segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Evaluación científica debe tener mirada de género


Los artículos científicos cuyo primer autor es una mujer tienen una tasa de citaciones más baja que aquellos con primeros autores masculinos, lo que perjudica su avance profesional. Crédito de la imagen: Concytec, Perú. Imagen en el dominio público

By: Washington Castilhos



Si no se considera al género como un factor importante al evaluar y calificar a los académicos, las disparidades de género en ciencias se profundizarán aún más, concluyó un estudio que cuestionó la validez de las métricas utilizadas en un ranking reciente que clasificó a los cien mil científicos más influyentes del mundo, basándose exclusivamente en criterios de citación.

El ranking consideró factores como el número total de citaciones y el número de citaciones de un artículo de autoría única, el primer y el último autor.

“La citación es una métrica extremadamente sesgada y debatir sobre estas clasificaciones es fundamental para evitar ampliar la brecha de género en la ciencia”, dice a Scidev.Net Fernanda Staniscuaski, profesora del Instituto de Biociencias de la Universidad Federal de Rio Grande do Sul, Brasil.

Ella es una de las autoras del artículo, publicado en Anales de la Academia Brasileña de Ciencias, que analiza la importancia del género como factor de evaluación.

“La citación es una métrica extremadamente sesgada y debatir sobre estas clasificaciones es fundamental para evitar ampliar la brecha de género en la ciencia”.

Fernanda Staniscuaski, Instituto de Biociencias, Universidad Federal de Rio Grande do Sul, Brasil

Aunque las mujeres siguen siendo una minoría entre los investigadores del mundo, en el informe de la Unesco de 2019 América Latina y el Caribe aparecen con un índice de 45 por ciento de participación femenina. En Brasil casi el 50 por ciento de investigadores con títulos de doctorado registrados en la base de datos del Consejo Nacional de Investigacion (Plataforma Lattes/CNPq) son mujeres.

A pesar de esto, los resultados del ranking revelan una gran subrepresentación de investigadoras brasileñas: de 254 (es decir el 0,25 por ciento de 100.000) científicos brasileños que aparecen en la lista, considerando el desempeño a lo largo de su carrera, solo un 11 por ciento son mujeres. Si se toma en cuenta el desempeño en un solo año (2019), de los 352 investigadores brasileños presentes (0,35 por ciento de la lista), el 15,1 por ciento son mujeres.

Según Staniscuaski, la escasa representación femenina en estas mediciones, posiblemente “están relacionadas con las métricas utilizadas para clasificar a los científicos, que reproducen y refuerzan el conocido sesgo implícito en la valoración por citas”.

Ella revela que, según otros estudios¹ los artículos con una primera autora femenina tienen una tasa de citaciones más baja que aquellos con primeros autores masculinos. Por lo tanto, en una lista basada en el criterio de citación, las mujeres compiten por el espacio desde una condición de desigualdad.

Estar en la lista de los 100.000 científicos más influyentes del mundo significa un gran impacto para la carrera, lo que abre las puertas a la creación de redes y al financiamiento de investigaciones. Pero, señalan las investigadoras en su artículo, sin igualdad, las científicas continúan enfrentándose a un círculo vicioso.

“Con menos visibilidad, esas científicas publican menos y son citadas menos. Y el rendimiento académico percibido como menor conduce a una menor visibilidad, dificultando el aumento de la productividad”, agrega a SciDev.Net la investigadora Letícia de Oliveira, profesora de la Universidad Federal Fluminense de Río de Janeiro, y también autora del artículo.

En el ranking, las científicas brasileñas están subrepresentadas en todas las áreas: el mayor porcentaje de mujeres se encontró en ciencias de la salud (21,9%), seguido de ciencias aplicadas (17,3%), ciencias naturales (13,8%) y ciencias económicas y sociales ( 12,5%). Ingeniería (8,1%) y física (5,8%) fueron las áreas con menor número de mujeres.

“Los estereotipos se reflejan en las opciones, lo que significa que tenemos más ingenieros hombres y más mujeres en enfermería. Todo lo que involucra cuidados está ligado a la mujer. Ellas constituyen el 57 por ciento de estudiantes de pregrado en Brasil, pero ¿dónde están? ¿Por qué no están las mujeres en las áreas exactas y los hombres en las áreas asistenciales?”, pregunta Staniscuaski.

Otras investigadoras que no participaron en el estudio destacan su pertinencia. Para Gisele Martins, profesora del Instituto de Enfermería de la Universidad Federal de Río de Janeiro, el estudio es importante porque destaca los obstáculos que enfrentan las científicas, llamando la atención sobre fenómenos como el “efecto tijera” y la “segregación vertical”, que describen cómo, a medida que se avanza en una carrera científica, disminuye la participación de las mujeres.

“El artículo advierte sobre la perversidad de las métricas y las formas de evaluación y también muestra que de nada sirve tener un gran número de mujeres ingresando a la universidad, si pocas llegarán a la cima de sus carreras, con financiamiento y reconocimiento en cargos de gestión y dirección”, dice Martins, quien también coordina el Grupo de Trabajo sobre Responsabilidades Parentales y Equidad de Género, creado por la rectoría durante la pandemia de COVID-19 con el fin de desarrollar políticas internas para la igualdad de género.

Para Jacqueline Leta, profesora del Instituto de Bioquímica Médica de la Universidad Federal de Río de Janeiro e investigadora en género y ciencia, es necesario considerar la naturaleza de los datos, ya que los autores del ranking utilizaron la base de datos Scopus para identificar a los 100.000 autores más citados.

“Existe, de hecho, una subrepresentación de mujeres en el ranking, situación que no era deseable, pero todas las bases comerciales tienen sesgos sea de cobertura geográfica, idioma, zona. Estas bases de datos no pueden incorporar todo el volumen de publicaciones, por lo que optan por privilegiar algunos países. Así, los investigadores de países periféricos se encuentran en su mayoría fuera de esta base”, señala a SciDev.Net.

En un estudio reciente que involucró a profesores e investigadores vinculados a estudios de posgrado, Leta señaló que las mujeres realizan un triple recorrido académico: profesoras, investigadoras y autoras de artículos.

Gisele Martins coincide: “Acumulamos muchas funciones como profesores e investigadoras, mientras que la posición del hombre no se evalúa”.

Las investigadoras entrevistadas por SciDev.Net creen que la crítica es importante para generar cambios en estos tipos de mediciones, pues estiman que la pandemia de COVID-19 va a tener impactos en la producción cientifica de las mujeres, como prevén recientes estudios publicados².

“No hay duda de que las mujeres presentaron menos artículos durante el período pandémico. En un futuro próximo seguramente tendremos un mayor desacuerdo en el número de publicaciones entre hombres y mujeres”, conclue Fernanda Staniscuaski.

> Enlace al artículo en Scielo Brasil

This article was originally published on SciDev.Net. Read the original article.

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La confianza en los científicos aumenta en el mundo

em quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

La confianza en los científicos aumenta en el mundo 
La confianza en los científicos rara vez ha sido más crucial que ahora. 

 15 December 2021



La confianza en los científicos rara vez ha sido más crucial que ahora, pues las personas han tenido que realizar cambios en su estilo de vida a gran escala en base a la orientación de los expertos durante la pandemia de COVID-19.
Mientras los científicos y los profesionales médicos son cada vez más visibles en los medios de comunicación locales y mundiales, esta exposición parece haber tenido un efecto positivo. La proporción de personas que expresan un alto nivel de confianza en los científicos de sus países aumentó en casi todas las regiones en los últimos dos años, subiendo nueve puntos porcentuales entre 2018 y 2020 al 43 por ciento a nivel mundial.


Entender cómo las personas alrededor del mundo ven la ciencia y a los científicos es crucial para los esfuerzos por asegurar la atención del público y el cumplimiento de las recomendaciones de los científicos en crisis futuras. — Wellcome Global Monitor 2020


Estos datos forman parte del Wellcome Global Monitor para 2020, que profundiza en el impacto de COVID-19 en los medios de vida y las opiniones de las personas sobre la ciencia. El reporte llega después del Monitor 2018 de Wellcome, el primero sobre las actitudes del público hacia la ciencia y la salud en todo el mundo.

Con la pandemia presente entre las dos encuestas, el informe más reciente proporciona información sobre los impactos que la situación ha tenido en las actitudes de las personas.

Realizado como parte de la Encuesta Mundial de actitudes y comportamientos de Gallup, el estudio se compiló a través de una consulta a más de 119.000 personas en 113 países y territorios a fines de 2020 y principios de 2021, coincidiendo con el aumento los casos de COVID-19 en muchos sitios alrededor del mundo.

Esta visualización interactiva explora los resultados clave del estudio, evaluando los hallazgos en tres áreas de enfoque: la confianza en la ciencia, las consecuencias económicas de COVID-19 y los niveles de apoyo público para el gasto mundial en la prevención y cura de enfermedades.




Construyendo confianza

Asia oriental y meridional, Australia y Nueva Zelanda, América y Europa oriental registraron aumentos de al menos 10 puntos porcentuales entre 2018 y 2020 en la proporción de personas que expresan un alto nivel de confianza en los científicos de sus países.

Y a nivel mundial, la cantidad de personas que profesan un alto nivel de confianza en la ciencia misma aumentó al 41 por ciento, desde 31 por ciento registrado en 2018.

“La confianza es tan importante, tanto en la ciencia como en nuestros sistemas de salud y en los gobiernos, para garantizar que la salud pública pueda funcionar”, dice Beth Thompson, directora asociada de políticas de Wellcome. “Entonces, sin duda, es importante que construyamos esa confianza donde sea que podamos en todo el mundo”.

Los hallazgos del informe también respaldan la idea de que la creciente confianza está vinculada a una mayor visibilidad de los científicos en los medios. “Hubo un aumento particular entre las personas que dijeron que, para empezar, no saben tanto sobre ciencia”, dice Thompson. “Eso podría respaldar el hecho de que la gente que no veía mucha ciencia y no tenía mucho acceso a ella [antes], y ahora, a través de la pandemia, han estado más expuestos”.




Pero a pesar del panorama general positivo en la confianza en los científicos y la ciencia por región, hubo dos excepciones notables que alteraron la tendencia general en ambas categorías: África subsahariana y la región de Rusia, el Cáucaso y Asia central. En Benin y Nigeria, poco menos del 10 por ciento de las personas encuestadas expresaron un alto nivel de confianza en los científicos de sus países, en comparación con el 72 por ciento en Bélgica, el más alto a nivel mundial.

Los niveles de confianza parecen estar vinculados a las percepciones del gobierno nacional, dice Wellcome, y aquellos que confían en su gobierno son 13 puntos porcentuales más propensos a tener una alta confianza en los científicos. En Nigeria, menos del cinco por ciento de las personas tenían una gran confianza en el gobierno.



La confianza en los periodistas y los gobiernos nacionales también aumentó, aunque de nuevo, no tanto como en los científicos y la ciencia. Sin embargo, la confianza en las personas de sus propios vecindarios cayó del 34% al 29%.



Lea el reporte completo en inglés 

Ampliación de las disparidades económicas

Si bien COVID-19 parece haber tenido un impacto positivo en los niveles de confianza, el Monitor Global también muestra hasta qué punto la pandemia ha exacerbado las disparidades económicas.



Casi la mitad de los trabajadores en países de ingresos bajos y medianos bajos informaron haber perdido un trabajo o negocio debido a COVID-19, en comparación con un tercio a nivel mundial y solo una décima parte en los países de ingresos altos.

También al interior de los países, la brecha económica se amplió. A nivel mundial, el 41 por ciento de los que reciben el 20 por ciento más bajo de los ingresos nacionales perdieron negocios, casi el doble de la proporción entre la quinta parte más rica de las personas. En América Latina, la disparidad fue del triple.

En siete países, más de la mitad de las personas perdieron su trabajo o negocio, llegando a dos tercios en Filipinas y Kenia. En Kenia en 2020, Wellcome destaca que casi tres cuartas partes de las personas informaron períodos en los que no tenían dinero suficiente para comprar alimentos para sus familias.



Esto respalda informes anteriores que han mostrado cuán rápido se establecen estos efectos en algunos países. En Kenia, 48 por ciento de los hogares rurales y 87 por ciento en Sierra Leona enfrentan pérdida de comidas o reducción en el tamaño de porciones ya en abril de 2020, solo un mes más o menos después de que COVID-19 fuera declarada pandemia.

Al mismo tiempo, en varias regiones de bajos ingresos con grandes poblaciones rurales, las personas están entre las más propensas a decir que sus vidas no se han visto afectadas por la pandemia, incluidas África subsahariana, el sudeste asiático y Asia central.



La cifra llegaba al 61 por ciento en Laos, en comparación con solo 19 por ciento a nivel mundial. Mientras tanto, 45 por ciento de las personas en el mundo dijeron que sus vidas se habían visto muy afectadas por COVID-19.


Actitudes sobre la prevención de enfermedades

Una de las preguntas más importantes es cómo los países deberían prepararse juntos para la próxima pandemia, después de que COVID-19 pusiera de relieve la vulnerabilidad del actual mundo interconectado. La clave para esto son las actitudes sobre cómo debe dirigirse el gasto en prevención de enfermedades a nivel mundial.

Con eso en mente, Wellcome preguntó a la gente qué tan de acuerdo estaban con dos declaraciones: si pensaban que su gobierno nacional debería gastar en prevenir enfermedades dondequiera que golpearan; y si su gobierno debería gastar solo si su propio país está en riesgo inmediato.

Sin embargo, parecía haber cierta incertidumbre sobre las declaraciones, porque más del 70 por ciento de los encuestados estaban muy o algo de acuerdo con ambas opciones, incluidas mayorías notables en regiones como Asia meridional, Asia oriental y América Latina.

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Algunos países registraron grandes brechas entre quienes estuvieron de acuerdo con cada declaración. En Noruega, el 85 por ciento estuvo de acuerdo en que el gobierno debería gastar dondequiera que golpearan las enfermedades, en comparación con el 33 por ciento que dijo que esto solo debería suceder si afectaba a su propio país. En Túnez, por su parte, fue al revés, con cifras del 38 y 87 por ciento, respectivamente.

La necesidad de cooperación internacional para prevenir enfermedades será una consideración importante en el futuro, dice Wellcome, citando el llamado de un panel del G20 para nuevas inversiones y mecanismos para el financiamiento internacional centrado en una pandemia, y de analistas que abogan por la preparación para una pandemia como un “bien público global”. 

Pero se necesita más avances, dice Thompson, con actitudes públicas que se convertirán en un componente crucial para el futuro. “La cooperación global es la única forma en que vamos a resolver grandes desafíos como COVID y, en última instancia, los políticos son responsables ante sus electorados en las democracias”, dice Thompson.

Eso significa la necesidad de la aceptación pública, con datos como los de Wellcome que ayudan a evaluar esto, dice Thompson. “Esperamos que esto permita que las personas en las diferentes regiones y dentro de sus países profundicen en los datos para explorar cómo pueden ser útiles para ellos y lo que podrían sacar de esa información”.


Lea el reporte completo (en inglés): Wellcome Global Monitor 2020

Artigo original disponível em: 

https://www.scidev.net/america-latina/data-visualisation/la-confianza-en-los-cientificos-aumenta-en-el-mundo/?utm_source=SciDev.Net&utm_medium=email&utm_campaign=12896544_2021-12-27%20Weekly%20Email%20Digest%20-%20Am%C3%A9rica%20Latina%20y%20el%20Caribe%20Template.%20For%20no%20topic%20preferences&dm_i=1SCG,7OF1C,B0L89T,VAECY,1 


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ENTREVISTA BENJAMIN A. COWAN O BRASIL E A NOVA DIREITA

em segunda-feira, 2 de agosto de 2021

 

Cowan: entendimento sobre a constituição da direita transnacional demanda estudos comparados 

Californiano de Los Angeles, nos Estados Unidos, Benjamin A. Cowan não falava português e tampouco nutria grande curiosidade científica pelo Brasil até conhecer, em 2003, os arquivos da Escola Superior de Guerra (ESG). Na biblioteca da instituição, localizada na fortaleza de São João, no bairro da Urca, Rio de Janeiro, o historiador encontrou publicações e documentos que aguçaram seu interesse por temas como autoritarismo, radicalismo de direita, moralidade e sexualidade. Fluente em espanhol, imediatamente passou a tentar decifrá-los. Iniciava-se, ali, sua pesquisa sobre o Brasil, com ênfase na história cultural e de gênero do pós-1964.

Quase 20 anos depois, Cowan acaba de publicar seu segundo livro sobre o país, pela The University of North Carolina Press. Com 304 páginas, Moral majorities across the Americas: Brazil, the United States, and the creation of the religious right historiciza a chamada nova direita como um fenômeno de amplas raízes e essencialmente transnacional. Nesta entrevista, concedida por vídeo, de sua casa nos Estados Unidos, o professor-associado da Universidade da Califórnia em San Diego fala da importância do Brasil como “lócus crítico” para a gestação desse fenômeno. “Para entender a direita moderna é preciso incluir o Brasil como plataforma essencial ao desenvolvimento da agenda cultural, moral e política que hoje temos como realidade”, diz.

De onde vem seu interesse pelo Brasil?
Meu interesse surgiu por acaso, quando iniciava uma pesquisa sobre a violência das ditaduras militares chilena e argentina, e decorre de descoberta, feita em 2003, de uma fonte de arquivos pouco explorada. Soube, por um militar norte-americano, que os documentos da biblioteca da ESG estavam acessíveis. Fiquei curioso. Viajei para o Brasil, fui até a sede da escola, no Rio de Janeiro, e comecei a investigar seu acervo. Só depois fui descobrir que a história do Brasil e a do meu país, os Estados Unidos, tem muito em comum em relação à ascendência dessa nova direita. Posso dizer que a fortuna estava ao meu lado. O acesso a esse acervo acabou sendo muito importante para minha trajetória acadêmica e profissional. Eu havia acabado de ingressar no doutorado na Ucla [Universidade da Califórnia de Los Angeles] e cheguei a morar um ano no país. Pesquisei na EsAO [Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais], Eceme [Escola de Comando e Estado-maior do Exército], no Arquivo do Exército e na Biblioteca Nacional. Com uma câmera digital, em três anos fiz cerca de 10 mil imagens de documentos. Desisti de estudar a Argentina e o Chile e o Brasil virou objeto do meu doutorado.

O livro Securing sex: Morality and repression in the making of Cold War Brazil, publicado em 2016, é resultado dessa pesquisa. Qual a principal conclusão de sua tese de doutorado?
É a de que um grupo de conservadores, indivíduos e organizações, civis e militares, que se encontraram em uma rede transnacional de ideias, desempenhou papel central, e até então pouco conhecido, na execução de um projeto cultural e reacionário, dentro do regime militar brasileiro. No livro, tendo como pano de fundo a Guerra Fria, abordo a relação entre conservadorismo, anticomunismo e assuntos morais. Mostro que foram muito estreitas as relações entre ativistas moralistas e a conceituação de anticomunismo no Brasil, especialmente na época da ditadura [1964-1985]. Durante a pesquisa ficou claro como uma série dessas ideias, originadas na década de 1930, ganhou força no governo dos militares. Mais especificamente, como ideias retrógradas se tornaram centrais na concepção do pensamento militar. Isso explica parte da perseguição ao comunismo naquele período. Estava presente ali a ideia de guerra cultural, que via o comunismo como algo que operava por meio da cultura, do sexo e dos costumes. Teóricos, que designei de tecnocratas morais, médicos, advogados, políticos e teólogos desempenharam diversos papéis, na sociedade e no governo, e se uniram ao redor da ideia de que o comunismo estaria ligado à luta mais antiga e mais eterna, entre o bem e o mal – entendido e materializado em armas culturais, como a pornografia, as drogas e até peças de roupa, como a minissaia.

O triunfo dos conservadores tem a ver com sua cooperação com a ditadura e com a ligação com grupos transnacionais, de outros países

Como se desenvolveu o trabalho desse grupo de conservadores?
Antônio Carlos Pacheco e Silva [1898-1988], por exemplo, era psiquiatra e desempenhou vários papéis no regime militar. O escritor católico Gustavo Corção [1896-1978], conhecido por seus artigos na grande imprensa, serviu em distintas comissões oficiais, como o Conselho Federal da Cultura. Eles não eram a “cara” da ditadura, mas influenciaram seus bastidores. Por sua vez, o general Antônio Carlos da Silva Muricy [1906-2000], que teve papel importante no golpe de Estado, liderou a campanha para inserir esse moralismo anticomunista no centro da ideologia do regime. Indivíduos como eles trabalharam, cada um a seu modo, para tornar os centros de poder mais receptivos à noção de que a Guerra Fria era uma luta cultural, a ser travada em “campos de batalha” como o sexo, os costumes, a roupa, a aparência, especialmente da juventude. Essa não foi uma peculiaridade do Brasil, tais ideias circulavam no mundo Atlântico. A linguagem do anticomunismo moral ou moralista foi parte de uma série de táticas e operações para associar o inimigo, seja o que ou quem fosse, a ameaças culturais. Constituiu uma tentativa de racionalizar, de justificar a violência. Pânico moral é um termo que nos ajuda a entender como essas ideias se tornaram tão poderosas naquele momento. Mas o que descobri durante a minha pesquisa foi que as pessoas que mais “ameaçaram” o Estado brasileiro durante a ditadura não ligavam muito para a revolução sexual. A suspeição de que havia um vínculo direto entre a revolução sexual e a esquerda não se confirmou exatamente. Durante a ditadura, a opção do governo brasileiro pelo capitalismo deixou o campo cultural permeável ao que acontecia no exterior. O regime acabou, em certa medida, adquirindo a forma que os conservadores temiam. O exemplo mais forte, e talvez mais ilustrativo, é a pornochanchada. Na biblioteca da ESG havia documentos que mencionavam a pornochanchada como evidência de que a pornografia era usada como arma pelos comunistas. Os detalhes e a veemência das ideias me surpreenderam. Ocorre que a pornochanchada foi financiada pelo governo, interessado em promover a indústria cinematográfica nacional. Seus filmes mudaram a face do cinema nacional.

De que forma isso ocorreu?
Isso vem do fato de que a ditadura, àquela altura, em meados dos anos 1970, já era uma bagunça. Se no centro da ideologia estava o anticomunismo moralista, na vida cotidiana era impossível regular o sexo. Essas ideias fracassaram não apenas porque o controle não era possível, mas porque a ditadura promovia um modelo econômico e cultural que produzia exatamente o que se tentava evitar. Em alguma medida, é possível afirmar que o protestantismo de hoje foi determinado nessa guerra cultural da ditadura.

Acervo UH /Folhapress A pauta dos costumes estava presente em manifestações como a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em março de 1964Acervo UH /Folhapress

E esse é o tema de Moral majorities across the Americas, que está sendo lançado agora?
Sim. Na essência, meu livro é uma história do conservadorismo religioso no Brasil do século XX. Ele trata de como chegamos à configuração atual de poder dos evangélicos. À época da aproximação dos evangélicos conservadores com a ditadura militar havia muita esperança de um cristianismo renovado, não exatamente de esquerda, mas engajado em questões de justiça social, com a qualidade de vida das pessoas. Como essa visão de um futuro cristão mais progressista fracassou? O que se sabe hoje é que evangélicos e conservadores católicos brasileiros estavam em uma rede de ideias que foi além das fronteiras nacionais e acabaram sendo muito importantes na articulação de uma direita no mundo. O fato mais interessante é que a maioria era desconhecida. Nos Estados Unidos, por exemplo, havia Paul Weyrich [1942-2008], fundador da Heritage Foundation. O próprio Plinio Corrêa de Oliveira [1908-1995], da TFP [Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade], tinha uma visão transnacional. Ele queria criar uma rede internacional da TFP e colaborou com Weyrich. O arcebispo de Diamantina [MG] Geraldo de Proença Sigaud [1909-1999] se tornou líder dos conservadores católicos, que estavam chocados com as mudanças que viam na Igreja. Houve reação em vários grupos ao que chamavam de “modernidade”, entendida como as mudanças culturais, o ecumenismo e o comunismo. No Brasil e no exterior, os conservadores protestantes também se opunham à ideia de ecumenismo, considerada uma armadilha comunista contra o conservadorismo teológico. No livro tentei identificar denominações e percebi que essa luta se desenvolveu dentro delas, inclusive. No contexto nacional, o triunfo dos conservadores tem a ver com sua cooperação com a ditadura e com a ligação com grupos transnacionais, de outros países. Eles construíram uma plataforma composta por temas que, hoje, reconhecemos como a linha mais central da direita cristã: a oposição ao aborto, o apoio ao porte de armas, o neoconservadorismo que se tornou neoliberalismo como resposta ao comunismo, compatível com a cristandade.

E como isso chegou ao século XXI?
No livro argumento que o ressurgimento da direita deriva de uma história de ativismo conservador que uniu brasileiros, norte-americanos, católicos, protestantes, conservadores seculares, oportunistas autoritários, entre outros. A semelhança entre o atual presidente do Brasil e Donald Trump, por exemplo, vem do trabalho desenvolvido no passado por ativistas brasileiros e norte-americanos que deliberadamente estabeleceram uma pauta mais sobre temas identitários do que ideológicos. O que a oposição ao aborto tem a ver com o porte de armas e o tamanho do Estado, em relação a programas de bem-estar social? Esses ativistas entenderam a importância da construção de uma plataforma que apelaria a uma certa massa e por isso constituíram esses vínculos. Minha pesquisa em arquivos religiosos, não só do Brasil e dos Estados Unidos, mas também da Itália, mostra o aborto como tema capaz de aglutinar muita gente. Em arquivos da Casa Publicadora das Assembleias de Deus, encontrei uma menção a Carl McIntire [1906-2002], um pastor radicalmente conservador, que não havia recebido muita atenção da historiografia, mas que foi muito importante no desenvolvimento da direita radical nos Estados Unidos. Ao pesquisar no Princeton Theological Seminary, onde estão seus arquivos, acabei descobrindo que McIntire cooperou com evangélicos no Brasil. Ele começou tentando construir uma associação de igrejas evangélicas conservadoras nos anos 1950. Em resposta à modernidade teológica e ao ecumenismo, com o International Council of Christian Churches [ICCC], McIntire buscou estruturar uma rede global de instituições e espaços em que conservadores evangélicos pudessem se reunir, trocar ideias e influenciar políticas culturais. No Brasil, onde esteve algumas vezes e para onde enviou missionários, encontrou terreno fértil. Organizou e realizou, com a participação de ativistas brasileiros, conferências em várias partes do mundo. O reverendo Israel Gueiros foi um de seus interlocutores. Os dois colaboraram por décadas, combinando anticomunismo ferrenho com reacionarismo cultural, sempre com um enfoque em defesa do capitalismo desregulamentado.

Instituições e ativistas brasileiros foram essenciais para tornar possível o ressurgimento da direita ao criarem organizações e nutrirem alianças

Foram bem-sucedidos?
Acho que nem eles acreditavam quão sucesso teriam. O objetivo era articular, com integrantes de outras denominações e de outros países, uma série de assuntos sobre os quais todos concordassem que deveriam ser defendidos. Para eles não se podia separar o poder político do poder religioso. Antes dos anos 1960, a orientação da maioria das igrejas evangélicas era a de não entrar nas doutrinas do mundo. O enfoque era o da vida espiritual. Eles não queriam as coisas de César, queriam as coisas de Deus. O que muda é a vontade crescente dos evangélicos de tomar para si uma área da vida pública, apresentada como manifestação política de sentimentos e doutrinas religiosas. Eles estavam preocupados em defender os valores religiosos, mas me parece que, naquele momento, para eles não era possível distinguir o que estava acontecendo na política do que acontecia na cultura e na economia. Um dos grandes logros foi conectar isso tudo com a identidade religiosa. Conseguiram vincular a noção de guardiões da tradição religiosa com uma série de iniciativas que não eram e não são exatamente religiosas. Em oposição ao Estado e ao igualitarismo, esses ativistas ajudaram a tornar não só lícito, mas necessário, o engajamento dos cristãos. Não há como explicar a semelhança entre o atual presidente do Brasil e Trump, ou o surgimento do populismo de direita nos Estados Unidos, só com o que acontece dentro dos Estados Unidos ou a partir de um conceito nacional. Sustento que essas histórias devem ser pensadas em termos transnacionais.

Outros países também participaram da construção dessa direita transnacional?
O Brasil teve um papel muito importante, que começou há quase um século. Instituições e ativistas brasileiros foram essenciais para tornar possível o ressurgimento da direita ao criarem organizações e nutrirem alianças que facilitaram a construção do atual conservadorismo cristão transnacional – talvez o mais influente fenômeno político e cultural da atualidade. Mas sei que outros países também participaram dessa construção. Por um longo tempo, estudos sobre movimentos de direita davam como certos seus limites dentro do Estado-nação. Há que se considerar, no entanto, os vínculos com outros países. A maioria de nós é treinada em estudos nacionais, mas é preciso investigar países sobre os quais pouco se sabe nessa temática. Se fosse para indicar um próximo destino de pesquisa, seria algum país da Ásia, a Coreia ou China. A World Anticommunist League [WACL], Liga Anticomunista, por exemplo, teve atuação na Ásia. Parece fundamental compreender os esforços de estabelecimento de vínculos com igrejas daquela região.


Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

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