Tecnologia do Blogger.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Cururu e o ticket ‘conservador liberal’ encerram as discussões de 2018 do MidCid

“O ticket conservador liberal nas representações simbólicas do passado” e “A subversão da mulher frente à dominação masculina no desafio de Cururu em Sorocaba” são as pesquisas que nortearam as discussões do encontro


O mestrando Roldão Pires exibiu um trecho da série “Brasil- A última Cruzada” em que se discute a escravidão. 
Para o pesquisador, as estruturas das narrativas apontam problemas históricos conceituais


O último encontro de 2018 do Grupo de Pesquisa Mídia, Cidade e Práticas Socioculturais (MidCid), realizado na segunda-feira (3/12), contou com a apresentação das pesquisas de mestrado ainda em desenvolvimento de Luiz Carlos Rodrigues e Roldão Pires. Ambos são alunos do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura (PPGCC) da Universidade de Sorocaba. 

Com o título “A subversão da mulher frente à dominação masculina no desafio de Cururu em Sorocaba”, Rodrigues falou sobre a tradição regional do Cururu, uma manifestação marcada pela improvisação de rimas acompanhada por violas caipiras. O pesquisador conta que o foco do estudo começou a tomar forma quando ele identificou a ausência de mulheres nessa manifestação cultural. Elas participam apenas como público ou como apoio nos bastidores dos encontros. Como exceção, foram identificadas duas cururueiras, uma em Sorocaba e outra em Santa Bárbara d"Oeste, ambas na faixa dos 70 anos, que se arriscam nos desafios de versos cantados. “Há uma dominação masculina e violência simbólica dentro do desafio de Cururu”, pontua Rodrigues. Para fazer parte do desafio de Cururu, acredita-se no recebimento de um “Dom Divino”, uma condição para a qual os homens estariam mais propensos. Daí a justificativa para a quase inexistência de mulheres cururueiras.
Luiz Carlos Rodrigues possui graduação (Licenciatura
plena) em Português e Inglês pela Universidade
Anhanguera- Uniderp. É radialista há mais de 30 anos

Rodrigues relembrou o início dessa tradição que se deu com a Festa do Divino. Segundo o pesquisador, o desafio de Cururu foi desenvolvido no período em que tropeiros, bandeirantes e jesuítas percorriam a região de Sorocaba. No início, o foco dessa tradição oral eram as mensagens religiosas mas, após a era do rádio, as rimas passaram a incluir temas profanos e cômicos.

Esse estudo da comunicação popular, das culturas marginalizadas, é denominado como Folkcomunicação, o que não desperta interesse dos grupos hegemônicos e não ganha repercussão, de acordo com Rodrigues. Colocando-se como ativista da causa, o mestrando propôs um debate público em Sorocaba com a intenção de gerar reconhecimento e incentivo para essa tradição regional. Isso resultou na aprovação da lei que institui, em sessão solene, o “Dia do Cururu” no calendário oficial do município. “Se tiver espaço para divulgação, possivelmente mais pessoas vão conhecê-lo. Pode ser que mulheres e homens venham cantar os desafios de Cururu na nossa cidade. Quem sabe isso também não reverbera em outras culturas”.

Ticket ‘conservador liberal’

Roldão Pires é graduado em História e 
em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda
pela Universidade de Sorocaba, com pós graduação 
(lato senso) em Administração e Marketing e 
Gestão Estratégica de Negócios

A segunda pesquisa apresentada no encontro do MidCid teve como tema “O ticket conservador liberal nas representações simbólicas do passado”. Roldão Pires, professor de história, foca seus estudos no grupo Brasil Paralelo, um site cujos responsáveis o definem como mídia independente de produções audiovisuais. Para desenvolver suas reflexões, Pires tem como recorte a série “Brasil - A última Cruzada”, em que o grupo Brasil Paralelo se coloca como encarregado de contar “a verdadeira história do Brasil”.

Nas estruturas das narrativas da série, Pires aponta problemas históricos conceituais, além de mostrar, a partir da análise do discurso, como o grupo tenta vender blocos de ideias do que vem sendo chamado no Brasil de conservadorismo liberal. Pires diz identificar um discurso que procura criar inimigos através do ódio e do medo (de todo e qualquer movimento relacionado à esquerda) e a deslegitimação dos direitos sociais, assim como a venda de alguns conceitos econômicos neoliberais. O racismo, a escravidão dos negros e a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) são exemplos de temas que aparecem nesse debate.

Com objetivo de ilustrar seus argumentos, o mestrando exibiu um trecho da série em que se discute a escravidão. Para ele, o grupo, a partir de seus entrevistados, apaga a importância da escravidão no contexto histórico-brasileiro até mesmo numa perspectiva econômica, apaga-se a resistência do negro e tenta-se desvincular o racismo no Brasil da escravidão. Em alguma medida, para o pesquisador, o ponto de apoio para esse processo de convencimento do público é a ignorância da história. “Essa parte da história é apresentada como se fosse algo mais brando, colocando abstrações no discurso. Quem conhece pouco sobre a história vai comprando a ideia. Eles vão agindo nas lacunas do conhecimento.”

MidCid em 2018

Esse encontro do MidCid encerrou o ciclo de discussões “A Cidade depois do Fim do Mundo” que foi tema das atividades de 2018. As reuniões do grupo retornam em março, com uma nova proposta de reflexão sobre o urbano e as práticas comunicacionais e culturais.

Desejamos boas festas a todos!


Texto e fotos: Jennifer Lucchesi
Revisado por: Mara Rovida
quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Convite - Encontro 03/12/2018


A última reunião de 2018 do Grupo de Pesquisa Mídia, Cidade e Práticas Socioculturais está marcada para a próxima segunda-feira, 3 de dezembro. O encontro encerra as atividades sobre o tema “A cidade depois do fim do mundo”, com a participação dos mestrandos do PPGCC-Uniso Roldão Pires e Luiz Carlos Rodrigues que apresentam, respectivamente, as pesquisas “O ticket conservador liberal nas representações simbólicas do passado” e “A subversão da mulher frente à dominação masculina no desafio de Cururu em Sorocaba”.

O encontro acontece no Anfiteatro da Biblioteca, das 14 às 16 horas. Não é necessário inscrição. 

Aguardamos você!

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

E-book Gêneros, diversidades, tecnologias e smart city


Os organizadores do e-book são docentes do Programa de Pós-Graduação
em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba (Uniso)

Muita reflexão marcou o ano de 2017 do MidCid. E como resultado das nossas atividades, lançamos o e-book Gêneros, diversidades, tecnologias e smart city, organizado pelos docentes Paulo Celso da Silva, Mara Rovida, Felipe Tavares Paes Lopes e Wilton Garcia. No total, são 25 artigos, distribuídos em 8 secções que se complementam: O feminino e a Literatura, Do Gênero ao Jornalismo, Experimentações Contemporâneas, Perspectiva Trans, Por uma política da diversidade, Outros Olhares, Do rap ao hip-hop: Imagem e Som, Do Gênero à Etnia/Raça.

O e-book, preparado pelo Grupo de Pesquisa, reforça a necessidade do debate consciente e aberto!


Acesse o link e confira! Vale muito a pena!

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Intervenções urbanas


Qual o significado que uma obra de arte passa a ter quando sai do espaço físico do museu?

"As exposições e a poética contemporânea: entre os espaços urbanos e o cubo branco" foi tema do encontro do MidCid

Uma obra de arte fora do museu, percorrendo as ruas, interferindo comportamentos e rompendo com o cotidiano... A transposição das exposições do espaço fechado para o espaço urbano retratam a poética contemporânea, e é neste contexto que se debruça a professora doutora Marcia Eliane Rosa, membro do corpo docente do Mestrado em Linguagens, Mídia e Arte da PUC-Campinas. A pesquisadora compartilhou reflexões de seus estudos durante o encontro do MidCid, realizado na segunda-feira, dia 17 de setembro.

Profa. dra Mara Rovida Martini, da Pós-Graduação em
Com. e Cultura da Uniso, e a profa. dra. Marcia Eliane Rosa
A proposta e a inquietação da docente partem da ideia de pensar o espaço a partir da museologia. Consideram-se alguns campos: o espaço simbólico, o espaço geográfico e arquitetônico, e o espaço virtual. Dos conceitos-chave para o desenvolvimento da pesquisa, ela destaca a ideia de cubo branco, espaço e exposição, o urbano e a teoria crítica.
“A percepção de ‘cubo branco’ tornou-se uma questão para quem estuda os espaços. É o local categoricamente fixo para a apresentação da arte. Representa a higienização do espaço para o objeto em exposição sair do cotidiano e ter outro significado”, explica.

Marcia Eliane Rosa é pós-doutora em
Comunicação, doutora em Ciências da 
Comunicação, mestre em Comunicação 
Mercado e Graduada em Comunicação 
Social- Jornalismo
No universo da teoria crítica, três autores se sobressaem para o suporte teórico. De forma resumida, o primeiro é Henri Lefebvre (1901-1991) que ajuda a pensar o espaço de forma dialética, entendendo-o como produto e produtor de informação. Em torno da crítica do cotidiano, o autor defende o direito de viver (vivenciar e experimentar) a cidade. Para ele, as festas e rituais que aconteciam no espaço urbano recuperavam as essências desses lugares. O segundo é Jacques Rancière (1940), que fala dos espaços em ideia de ser, a imagem como ela é de fato, e o que a imagem remete. O terceiro é o filósofo Michel Foucault (1926-1984) com o conceito de Heterotopias para refletir o espaço outro nesse sufocamento das cidades.
A 31ª Bienal de São Paulo (2014); a 32ª Bienal de São Paulo (2016); o projeto Giganto (2008), de Raquel Brust, com fotografias hiperdimensionadas de moradores do Minhocão como intervenção urbana; o Projeto Women are Heroes (2008) – Mulheres são heroínas - de JR em Morro da Providência no Rio de Janeiro; e o projeto Coming Out; E se o museu saísse à rua (2015), do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, são os objetos em observação.


Os encontros de 2018 do grupo têm a proposta de
discutir “A Cidade depois do Fim do Mundo”
“É estabelecer a relação com a cidade e comunidade, revelar aspectos contemporâneos, propor diálogos na forma de expor e no envolvimento da produção de arte contribuindo na poética. É entender as construções e pensar no rompimento com o cotidiano”, pontua a professora sobre seu tema de pesquisa em andamento.
O próximo encontro do MidCid está marcado para 29 de outubro, às 14 horas, no anfiteatro da biblioteca da Uniso. Para participar não é preciso fazer inscrição, basta comparecer.


Texto e fotos: Jennifer Lucchesi

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Convite- Encontro 17/09/2018

Na próxima segunda-feira, 17 de setembro, será realizada a reunião do Grupo de Pesquisa Mídia, Cidade e Práticas Socioculturais, na qual receberemos a Profa. Dra. Marcia Eliane Rosa, da PUC-Campinas, com a palestra “As exposições e a poética contemporânea: entre os espaços urbanos e o cubo branco”. Esta conferência prossegue o diálogo de 2018 com o tema: “A cidade depois do fim do mundo”.

O encontro será no Anfiteatro da Biblioteca, das 14 às 16 horas. Não é necessário inscrição.

Aguardamos você!

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Por uma ciência militante


A palestra do professor Reigota marca o retorno das atividades do MidCid deste ano

A ciência como espaço de ação social, num sentido até militante, é o que defende o professor doutor Marcos Antonio dos Santos Reigota, membro do corpo docente do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade de Sorocaba. Estudioso da história japonesa – especialmente um dos episódios mais significativos da Segunda Guerra Mundial, os ataques com bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki –, Reigota foi o palestrante do encontro do MidCid realizado na Uniso, na tarde de 20 de agosto de 2018.

Prof. Dr. Paulo Celso da Silva,
responsável pelo grupo MidCid
Depois de quatro viagens ao Japão e muitos anos de interesse no assunto, Reigota coleciona imagens, fotografias e vídeos, feitas durante suas incursões em campo. A pesquisa de uma vida, que não tem as amarras do compromisso mais estanque de projetos condensados nos formatos corriqueiros, vem sendo registrada em narrativas expostas em trabalhos como o livro Hiroshima e Nagasaki, em exposições fotográficas e em outros trabalhos acadêmicos.

       Reigota propôs um pequeno deslocamento na temática dos encontros do MidCid de 2018. “Do pensar a cidade depois do fim do mundo, pensamos em adiar o fim do mundo.” Para contextualizar essa abordagem, ele retomou o tema da participação de Bené Fonteles na 32˚ Bienal de São Paulo, em 2016. A experiência proposta na instalação de Fonteles “Ágora: OcaTaperaTerreiro” serviu como ponta pé inicial de uma série de atividades desenvolvidas por Reigota que culminam numa abordagem militante da ciência, numa abordagem que busca adiar o fim do mundo. As relações, inclusive na experiência docente, vão apontando caminhos nessa trajetória que parece indicar uma possibilidade de resgatar Paulo Freire de maneira a ressignificar sua pedagogia a partir de questões contemporâneas.

Reigota uniu suas investigações sobre a história japonesa
mais a experiência de vida numa narrativa em formato de livro
A presença de Reigota na reunião do MidCid marca o retorno das atividades deste ano. O próximo encontro do grupo será em 17 de setembro, à 14 horas, no anfiteatro da biblioteca.
Para participar não é preciso fazer inscrição. Basta comparecer no horário e local do encontro.



Texto e fotos: Mara Rovida





     No encontro, foi apresentado o vídeo Intitulado Canto dos Pássaros. Elaborada por Paulo Celso e produzida por Gil Caserta, a experimentação audiovisual está disponível abaixo.


quarta-feira, 20 de junho de 2018

As Relações entre Espaço Urbano e Cultura: da internacional situacionista à cidade-global


No encontro do MidCid, o pesquisador Cláudio Novaes Coelho trabalhou o tema cidades a partir da perspectiva de A Sociedade do Espetáculo

Coelho recordou a atuação da Internacional Situacionista, inclusive na participação de maio de 1968

O Grupo de Pesquisa Mídia, Cidade e Práticas Socioculturais (MidCid) recebeu o professor doutor Cláudio Novaes Pinto Coelho, na última segunda-feira (18), para abordar a cidade a partir de um diálogo com a Sociedade do Espetáculo, obra de 1967 do francês Guy Debord.

Coelho, que é docente na faculdade Cásper Líbero e coordenador do Grupo de Pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo, lembrou a atuação de Debord, principalmente no movimento da Internacional Situacionista (I.S.), que existiu entre os anos 1957 e 1972. Nos âmbitos político, econômico e cultural, a I.S. foi marcada pela trajetória em unir a reflexão e ação, tendo como foco o espaço urbano. "O grupo fazia intervenções para estimular o maior número de pessoas para ação de transformação", enfatiza Coelho.

Segundo o pesquisador, os situacionistas lutavam para
transformar a sociedade capitalista

O pesquisador afirma que o grupo defendia a prática da deriva, ou seja, questionava como nos relacionamos com as cidades. Eles criavam situações a fim de romper a passividade e permitir a ampliação de novas vivências e experiências. "A Internacional Situacionista colocava como objetivo a necessidade de uma mudança na vida cotidiana; era muito mais do que mudar as relações econômicas. Propunham a auto-organização da sociedade. Mudar o mundo é criar novas situações e realidades", complementa. 


 A prática situacionista tinha como alvo a questão urbana; a ação
era simultaneamente política e cultural
Coelho também comentou sobre a atualização das ideias de Debord na obra de 1988, Comentários sobre a Sociedade do Espetáculo. Aproveitou para falar sobre a contemporaneidade, quando o capitalismo se globalizou, dando origem as 'cidades globais', interessadas na circulação de turistas e mercadorias, por exemplo.

Essa reunião encerrou as atividades do grupo do primeiro semestre de 2018. Os encontros retornam em 20 de agosto. Ao longo do ano, a proposta do MidCid é discutir “A Cidade depois do Fim do Mundo”.





Texto: Jennifer Lucchesi
Fotos: Felipe Parra
domingo, 17 de junho de 2018

Convite Midcid - 1806


No dia 18/06 (próxima segunda-feira), das 14 às 16h, no Anfiteatro da Biblioteca, acontecerá a reunião do Grupo de Pesquisa: Mídia, Cidade e Práticas Socioculturais (GPMidCid), coordenado pela Profa. Dra. Mara Rovida e Prof. Dr. Paulo Celso da Silva.


Nesse encontro, o Prof. Dr. Cláudio Novaes P. Coelho abordará o tema da Sociedade do Espetáculo. Após a apresentação se seguirá debate. E vale a pena destacar que esta atividade é aberta à comunidade interna e externa. Também, cada participante é certificado, valendo créditos para mestrandos e graduandos da Uniso e de outras Instituições. Aproveite e participe!



quinta-feira, 7 de junho de 2018

Seminário Governança em Plataformas Algorítmicas


Seminário promovido pelo MidCid com Julio Cesar Lemes de Castro, pesquisador de pós-doutorado junto ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Uniso 

Terça-feira, 12/6/2018, das 9 às 12 horas, no Anfiteatro da Biblioteca
(remarcado em virtude da paralisação no final de maio) 

No período recente se desenvolve um modo de gestão do social, associado ao neoliberalismo, que pode ser caracterizado como governança algorítmica. Seu modelo de funcionamento são as plataformas algorítmicas, redes de acesso controlado que redefinem continuamente a identidade do usuário com base em dados fornecidos por ele ou extraídos de sua atividade. É o caso dos serviços do Google, tomados conjuntamente; de redes sociais, como o Facebook; de sites de comércio eletrônico, como a Amazon; de provedores de transmissão contínua, como o Spotify e a Netflix; de dispositivos acoplados à Internet das Coisas, como as tecnologias vestíveis; e de serviços de economia do compartilhamento, como o Uber e o Airbnb. 

Para apreender a dinâmica da governança algorítmica, ela será examinada em três dimensões fundamentais. A primeira é a dimensão relacional: nas plataformas o indivíduo é fragmentado em seus traços digitais, os quais são recombinados em múltiplas relações, constituindo perfis customizados. A partir daí se desdobra a dimensão vetorial: tais relações são orientadas, captando tendências e embutindo projeções sobre o futuro. Por fim, essa orientação deslancha a dimensão agenciadora, desempenhando os papéis de amplificação de afinidades e contenção de diferenças, e gerando efeitos do tipo bolha ou bola de neve.

Para entender as circunstâncias em torno da interação do usuário com as plataformas algorítmicas, serão utilizadas categorias que adaptam elementos conceituais de diversas origens. A recursividade remonta à matemática, à tecnologia e à cibernética. A propriedade recursiva aplica-se à interpelação, que se refere à abordagem do usuário pelo algoritmo, recalibrada a cada iteração. A agência da interpelação pode distribuir-se em instâncias de alteridade representadas pelo algoritmo ou por outros atores. A interpelação opera por meio da definição ad hoc de perfis a partir da combinação de traços do usuário, o perfilamento. Este, por sua vez, consolida-se em virtude de sua assunção pelo usuário, que corresponde ao efeito performativo do algoritmo.


Editado em 14 de junho de 2018

Fotos de Edson Antunes Filho:





quarta-feira, 23 de maio de 2018

Um relato da exposição "Diário de Cheiros - Teto de Vidro"


No encontro do MidCid, o professor Doutor Wilton Garcia Sobrinho falou sobre a mostra ter objetivo de envolver a percepção na interação do corpo com o espaço

Para o professor, "uma exposição é para ser experimentada e não entendida"

Dando continuidade nas reuniões mensais do Grupo de Pesquisa Mídia, Cidade e Práticas Socioculturais (MidCid), o Professor Doutor Wilton Garcia Sobrinho trabalhou com a temática "Conexões, redes e resiliência em teto de vidro", nesta segunda-feira, 21 de maio. 

O encontro do MidCid discutiu o texto do Professor
Dr. Wilton Garcia Sobrinho realizado em parceria 
com a Professora Dra. Daniela Kutschat


O docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura, da Universidade de Sorocaba (Uniso), apresentou um texto realizado em parceria com a Professora Doutora Daniela Kutschat, que se originou a partir da exposição "Diário de Cheiros - Teto de Vidro", de Josely Carvalho (2018). Conforme Garcia ressalta, "o texto é um relato da experiência dessa exposição, porque exposição é para ser experimentada e não entendida". Esse trabalho foi divulgado no V Simpósio Internacional de Inovação em Mídias Interativas (SIIMI). 

Garcia conta que a mostra se desdobrava em dois movimentos: na criação de peças de cristal e no depósito de aromas, criados exclusivamente para a artista, em tais objetos. O propósito era envolver a percepção na interação da sensorialidade do corpo com o espaço, e em utilizar o olfato como resgate da memória. Na exposição, ao considerar a participação, o público era convidado a cheirar, tocar, ver e ouvir a obra de arte. 

Segundo o professor, a exposição incentivou a questão de enação, conceito de Francisco Varela. "É o deslocamento que o ambiente provoca que não só desestabiliza, mas traz outros parâmetros", explica. "O aroma intenso é provocativo; faz mexer com a subjetividade, algo que não temos muito domínio. Não tinha como sair ileso da mostra", completa. Para ele, num ambiente requintado e detalhado, foi trabalhado tanto a intensidade quanto a sofisticação. 

O próximo encontro do MidCid está marcado para 18 de junho. Nas reuniões de 2018, o grupo tem o objetivo de discutir "A Cidade depois do Fim do Mundo".


Texto: Jennifer Lucchesi
Fotos: Edson Antunes Filho