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terça-feira, 18 de setembro de 2018

Intervenções urbanas


Qual o significado que uma obra de arte passa a ter quando sai do espaço físico do museu?

"As exposições e a poética contemporânea: entre os espaços urbanos e o cubo branco" foi tema do encontro do MidCid

Uma obra de arte fora do museu, percorrendo as ruas, interferindo comportamentos e rompendo com o cotidiano... A transposição das exposições do espaço fechado para o espaço urbano retratam a poética contemporânea, e é neste contexto que se debruça a professora doutora Marcia Eliane Rosa, membro do corpo docente do Mestrado em Linguagens, Mídia e Arte da PUC-Campinas. A pesquisadora compartilhou reflexões de seus estudos durante o encontro do MidCid, realizado na segunda-feira, dia 17 de setembro.

Profa. dra Mara Rovida Martini, da Pós-Graduação em
Com. e Cultura da Uniso, e a profa. dra. Marcia Eliane Rosa
A proposta e a inquietação da docente partem da ideia de pensar o espaço a partir da museologia. Consideram-se alguns campos: o espaço simbólico, o espaço geográfico e arquitetônico, e o espaço virtual. Dos conceitos-chave para o desenvolvimento da pesquisa, ela destaca a ideia de cubo branco, espaço e exposição, o urbano e a teoria crítica.
“A percepção de ‘cubo branco’ tornou-se uma questão para quem estuda os espaços. É o local categoricamente fixo para a apresentação da arte. Representa a higienização do espaço para o objeto em exposição sair do cotidiano e ter outro significado”, explica.

Marcia Eliane Rosa é pós-doutora em
Comunicação, doutora em Ciências da 
Comunicação, mestre em Comunicação 
Mercado e Graduada em Comunicação 
Social- Jornalismo
No universo da teoria crítica, três autores se sobressaem para o suporte teórico. De forma resumida, o primeiro é Henri Lefebvre (1901-1991) que ajuda a pensar o espaço de forma dialética, entendendo-o como produto e produtor de informação. Em torno da crítica do cotidiano, o autor defende o direito de viver (vivenciar e experimentar) a cidade. Para ele, as festas e rituais que aconteciam no espaço urbano recuperavam as essências desses lugares. O segundo é Jacques Rancière (1940), que fala dos espaços em ideia de ser, a imagem como ela é de fato, e o que a imagem remete. O terceiro é o filósofo Michel Foucault (1926-1984) com o conceito de Heterotopias para refletir o espaço outro nesse sufocamento das cidades.
A 31ª Bienal de São Paulo (2014); a 32ª Bienal de São Paulo (2016); o projeto Giganto (2008), de Raquel Brust, com fotografias hiperdimensionadas de moradores do Minhocão como intervenção urbana; o Projeto Women are Heroes (2008) – Mulheres são heroínas - de JR em Morro da Providência no Rio de Janeiro; e o projeto Coming Out; E se o museu saísse à rua (2015), do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, são os objetos em observação.


Os encontros de 2018 do grupo têm a proposta de
discutir “A Cidade depois do Fim do Mundo”
“É estabelecer a relação com a cidade e comunidade, revelar aspectos contemporâneos, propor diálogos na forma de expor e no envolvimento da produção de arte contribuindo na poética. É entender as construções e pensar no rompimento com o cotidiano”, pontua a professora sobre seu tema de pesquisa em andamento.
O próximo encontro do MidCid está marcado para 29 de outubro, às 14 horas, no anfiteatro da biblioteca da Uniso. Para participar não é preciso fazer inscrição, basta comparecer.


Texto e fotos: Jennifer Lucchesi